Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

Eu também passei por estas escolas... :(

Duas noticias sobre escolas por onde passei em dois dias seguidos é dose. Já nada me espanta, já espero tudo. O que verifico é que a violência é cada vez maior e as formas de a combater eficazmente, cada vez menores.

 

Ainda eu não tinha feito estágio, fui colocada na Eb 2,3 Carlos Paredes. foi uma escola que me marcou em vários aspectos de forma positiva: pela amizade e camaradagem entre colegas, pela minha turma de 9º ano só de raparigas com apenas um "meio-rapaz" e que andavam loucas pelo Rui Barros, meu colega na altura, o treinador do peso pesado. Não podiam ver o prof. passar de calções. Pelo ambiente da escola, pela senhora do bar, uma senhora alentejana que fazia umas tostas maravilhosas. Pelo meu 7º ano com alunos especiais. Pelo meu primeiro Rally Papper que terminou numa patuscada. Por tanta coisa boa...!

 

Hoje vejo nas notícias o motivo pelo qual está a ser falada. E fiquei triste. A cada ano de ensino que passa, começo a ver o quanto o ensino se degrada deviso (também) a alunos que não sabem respeitar nada e nem ninguém, sem qualquer pejo ou valores morais.

 

Venho no autocarro para casa e oiço uma senhora atender o telefone. Alguém lhe conta do outro lado, possivelmente um filho, que houve um morto e um ferido na escola que a filha frequenta. Fiquei com as antenas no ar, obviamente. 

Ao ligar o computador e ao acessar a página do sapo deparo-me com a tal notícia. E não é que esta foi a escola onde andei até ao 9º ano? Fiquei novamente triste. 

Na verdade, a escola abrange áreas complicadas mas nunca me passou pela cabeça que pudesse acontecer algo assim. 

 

Ambos os acontecimentos aconteceram no exterior das escolas, mas protagonizados por alunos ou ex-alunos das mesmas. E só não aconteceu lá dentro porque não calhou, avento eu esta hipótese.

 

Agora pergunto eu: não deveriam ser as escolas um sítio super seguro para as nossas crianças? Apercebo-me de cada coisa às vezes, que os pais nem sonham.. e ainda bem.

 

Não se esqueçam que dou aulas em escolas "problemáticas"...

Oh sorte...!

É karma, praga ou qualquer outra coisa do género! E tinha que ser logo hoje que recebi uma notícia maravilhosa de uma amiga, que até senti uma espécie de remorso quando a minha pior turma que ia na rua em direcção à escola, me viu no autocarro e me fez uma grande festa.

 

Fui dar aulas à minha turma numerosa mas sossegada, interessada, inteligente e participativa. Estava eu já a começar a aula mesmo quendo entra a auxiliar a dizer que me vinha dar uma má notícia. Tinha faltado uma rofessora e eu teria que acolher alguns miúdos de outra turma. agora adivinhem lá de que turma... Exactamente: da minha pior turma!!!! E não foi dois ou três, foram OITO! Posso dizer que a sala ficou a abarrotar e ainda tive que ir buscar uma cadeira a outra sala.

 

Levei a aula toda a mandar calar e a zangar-me, coisa que não se passa com a turma da terça-feira. Na verdade, a energia negativa da turma da segunda-feira é de tal forma intensa que a outra turma que são uns amores, ficaram irreconhecíveis. Uma coisa inexplicável. Passaram de bestiais a bestas. A sério. Eu nem estava a acreditar no que estava a acontecer, pela primeira vez na vida pedi a caderneta do aluno aos miúdos da terça-feira. 

 

Os professores estão cansados, a insolência e indisciplina daqueles miúdos está no auge e, por isso desconfio que na última aula que é já na próxima segunda-feira, vou entregar testes e depois venho com eles para o pátio. É capaz de não ser tão horrível como estar dentro da sala. É um caso a pensar...

Segunda-feira, o dia do terror crescente.

 

Cada vez me sinto mais desanimada à segunda-feira. Hoje, então, tenho cá uma angústia no coração! Se eu não precisa-se tanto do (pouco) dinheiro que recebo por estas aulas, concerteza não voltaria a colocar os pés naquela turma.

 

A semana passada a Coordenadora teve a lata de me dizer que aquela turma já não ia nem a bem nem a mal, que o agrupamento de escolas não tem nada no Regulamento Interno que preveja actuar nestas situações de indisciplina extrema nas AECs. E eu e as outras colegas temos de aguentar e calar. Eu não deixo que façam farinha comigo, sou bastante rígida com eles porque é esta a linguagem que reconhecem. A colega de musica que é mais mole, já quase levou porrada. O que aconteceu? Nada! E eles sabem disso. Estão a entender o que daí advém?

 

Na minha última aula, portaram-se tão, mas tão mal, que é quase indescritivel. Para ajudar a toda esta situação, ainda tive mais dez miúdos dentro da sala porque a professora que lhes ia dar aulas faltou e eles foram distribuídos. Estes portaram-se muitíssimo bem mas os outros ainda se conseguiram portar pior do que normalmente.

 

Sinceramente já não sei como lidar com isto. A minha vontade mesmo é não voltar a colocar os pés naquela turma. É muito triste e desanimador começar a semana com este sentimento no coração. :(

Início de Semana Pesadelo

Vou começar a semana com um dia muito complicado: é dia de dar aulas àquela turma que causou toda esta problemática que me envolve, vou ter o acompanhamento da minha suposta "boss" na aula e para terminar o dia de trabalho em beleza, vou ter uma reunião com coordenadores das duas escolas, comissão de menores, pais e mais não sei quantas pessoas.

 

Não preciso de vos dizer como vão estar os meus nervos, pois não? 

Espero que esta situação se resolva de forma exemplar e que eu não passe de vítima a acusada (se é que me entendem).

Torçam por mim. :/

Insulto Via Mail

                                                           

No colégio, uma colega chama-me para dentro da sala, fecha a porta e manda-me sentar. Vira o portátil para mim e diz-me para eu ler. E eu li.

 

FULANA-DE-TAL,

ODEIO-TE! ÉS UMA P*TA!

ÉS ESTERCO DE VACA.

 

Engoli em seco quando vi o remetente do mail, que era o de uma aluno, pois jamais imaginei que uma menina tão angelical se saisse com uma alarvidade destas. Assim que cheguei a casa fui ver se também tinha sido presenteada por uma mail desta natureza. Não tinha sido.

 

Medidas a tomar? Remeter o mail para os pais e direcção da escola. Falar com estes em presença da aluna, que, neste momento diz não ter sido ela. Trama-a a hora do envio, o remetente, e o facto de já não ser a primeira vez que acontece...

 

Só Ao Puxão de Orelha

 

Ontem foi mais um dia de galinheiro. A coisa correu mal ainda antes de começar. Assim que inicio a descida da escadaria infindável, sinto uma dor horrorosa na fractura do meu pé! Lá fui eu a descer a escadaria quase ao pé-coxinho como se tivesse alguns 300 anos. E já nem mencionando o peso da minha mala, que parecia um velho baú cheio de tralha…

 

Comecei a aula como normalmente. A turma não sabe respeitar regras da sala de aula, não sabe respeitar nada nem ninguém. Várias chamadas de atenção e avisos, e a aula lá vai decorrendo cambaleante. Depois há meninos cujos “dedos” têm uma preguiça impressionante. Nem uma semana de aulas chega para passar meia dúzia de frases para o caderno. Ouvi dizer que é uma doença dos tempos modernos, a preguicite aguda.

 

Às tantas e no meio da feitura de uma actividade, o meu aluno surdinho encontrava-se mais atrasado. Este seu handicap prejudica-o pela dificuldade que tem em ouvir mas não na aprendizagem ou execução do que lhe é pedido. O loiro-burro levanta-se do seu lugar sem minha autorização e decide ir espreitar o trabalho do colega.

Como se acha o melhor, pensa que tem o direito de criticar os colegas e assumir o papel de professor, neste caso professora.

 

Como se fosse mais do que os outros, virou-se para o colega e chamou-lhe “totó”! Se há coisa que nunca admiti na minha aula foi o “chamanço” de nomes a colegas ou a quem quer que fosse. É claro que a seguir seguiu-se um responso e uma verificação ao trabalho que eu tinha mandado fazer. Acreditam que o trabalho estava mais atrasado do que o do colega?!

 

Mais um bocadinho de aula, mais uma matéria dada e mais trabalho a realizar. Estava a turma toda sossegada a trabalhar quando o loiro-burro resolve virar-se para trás e chamar ao colega chinoca “burro”!

Ó valha-me Santo Ambrósio e mais o rol dos meus santinhos de devoção! Passou-se assim uma coisinha má pela minha cabeça e uma névoa pela vista! Nem tinha acreditado no que tinha ouvido! Mais um raspanete, uma queixa à Directora e uma estadia na sala até acabar o que estava por fazer.

 

Ai o que estas alminhas vão sofrer quando saírem do quentinho do ninho da escola particular e forem para a escola pública! Ai, ai…

 

Insolência não, obrigada!

                

 

Esta semana tem sido a semana em que a minha paciência tem sido testada a ver até onde aguenta. Até nem sou uma pessoa paciente para certas coisas, mas para outras reconheço que sou mais do que o geral das pessoas. Se calhar muitas em situações com as quais me deparo, algumas vezes, já teriam explodido mais cedo.

 

Fui dar as minhas aulas toda feliz e contente, até porque tinha umas aulas giras para dar. Ainda por cima hoje é o dia do 1º ano. Cantam já tão bem em inglês… Os putos são uns amores. Quer dizer, as minhas turmas são todas compostas por crianças amorosas, excepto a minha do 4º ano que tem meia dúzia de elementos de fugir a sete pés. Os outros são uns amores também.

 

Hoje foi o dia em que a corda partiu. Esses alunos do 4º ano têm andado a esticar a corda desde a semana pasasada. Todos os dias têm de fazer trabalhos de casa extra – que não fazem – como castigo e todos os dias têm ido de castigo para o director (o que não tem adiantado nada). As queixas não se limitam à minha aula e sim de todos os professores, em geral.

O director já deve estar pelos cabelos. Os profes já falaram pessoalmente com eles para os chamar à razão, o director também já o fez mas as atitudes e comportamentos continuam os mesmos.

 

Não respeitam colegas, professores ou regras. Pensam que podem fazer o que lhes apetece, ou seja, nada e que podem conversar uns com os outros como se estivessem no intervalo. Aprender?! Para quê?! Que não aprendam, tudo bem mas pelo menos deixem os colegas aprender. Estas abéculas não têm o direito de impedir os outros de aprender!!!

 

Hoje passei-me da cabeça e levaram a maior descasca que alguma vez tinham levado aqui da Pessoinha. Senti-me uma panela de pressão. Cheia (de nervos) já eu estava de todas aquelas situações, depois, danada, gritei com eles (confirmei a minha suspeita de que eles só entendem este tipo de linguagem) ameaçadoramente e, por fim, fez-se silêncio. Desconfio que depois comecei a deitar fumo pelas orelhas e faíscas dos olhos.

Continuei a minha aula como se nada se tivesse passado, com a voz mais calma do mundo mas com a cara mais trombuda que eles alguma vez viram.

 

Digam lá que não faziam o mesmo que eu?! Não acatam as vossas ordens, não trabalham, têm o desplante de responder àquilo que vocês dizem, em vez de estarem bem caladinhos e são insolentes ao ponto de vos dizer que não gostam de vocês. Se eu dissesse isto a algum professor, quando era aluna, no mínimo dava direito s uma falta disciplinar. E nem é pela questão do que disseram mas pela forma como o disseram. Não agradamos, como é óbvio,  a todos e eu não sou paga para agradar aos “meninos” mas sim para ensinar.

E podem ficar descansados que não atingiram a minha auto-estima pois o que me disseram não me afectou. Dizem o mesmo e coisas piores das outras três professoras que lhes deram aulas o ano passado e que se foram embora por não estar para aturar aquilo.

 

No fim da aula, levei-os ao director e mandei-os explicar – como faço sempre – porque estavam ali. Ficaram calados que nem ratos. A valentia ficou dentro da sala de aula. Mas eu contei o que se passou. O director, coitado, ficou capaz de os engolir pois tinha estado a falar com eles uma hora antes sobre o comportamento deles. Eu já tinha verificado que falar com eles não servia de nada.

Em frente a eles, disse ao director que hoje tinha sido a gota de água e que não admitia mais insolência. E que se isto se repetisse novamente, exigia uma reunião com os pais dos alunos. O director informou os alunos que na semana que vem, iria marcar uma reunião com os pais, em que os alunos estariam presentes, para resolver a situação.

 

Já não aguentava mais estar sempre com paninhos quentes e a “tolerar” as porcarias que os meninos fazem nas aulas. Acham que exagerei?

A minha vontade era gravar os meninos para depois mostrar aos papás como os meninos se comportam na sala de aula. É que às vezes contar só o que se passa, não basta!

 

Haja Paciência e Comprimidos Pra Dor de Cabeça

 

(Autoria do N.)

 

Esta noite tive uma visita surpresa: a da minha alergia. Apanhou-me a dormir profundamente, infiltrou-se pelo meu nariz acima e começou o funganço… Acabei com o maço de lenços e só depois tive coragem de me arrancar do meu sono e da minha cama para ir tomar um anti-histamínico.

 

Acordei cheia de dores de cabeça. Não sei se da alergia, se da moca do anti-histamínico, se do tempo ou se das dores da coluna. Ufa!

Mal podia manter os olhos abertos. Mas tinha de ir fazer o penso como todos os dias… Não podia ficar nem mais um minutinho na cama. Emborquei um comprimido para as dores de cabeça e lá fui eu.

Desci a rua tipo zombie. Não via nada nem ninguém. E depois parece que todas as pessoas conhecidas saíram à rua naquela altura. Quanto mais desejava paz e sossego, mais pessoas me apareciam à frente para cumprimentar. Que cena, meu!

 

Como não consegui tomar o pequeno-almoço em casa porque o estômago estava às voltas, fui ao Feira Nova tomar o belo (des)café Jeronymo e um pastel de nata. Encontrei a Dona I. que me disse que o Herman (o cão) tinha morrido com um tumor. Esteve internado e não resistiu. Fiquei tão triste… Quando pedi o meu café, quase nem conseguia falar pois tinha a voz embargada pelo nó que se formou na minha garganta. Fiquei ali a morder o lábio inferior para não me cair uma lágrima. Já sabem que sou um coração de manteiga e ainda mais quando toca a animais…

 

Hoje saiu a sorte grande a um aluno meu. Teve direito a passar uma aulinha inteira em pé a olhar para a parede. Sabem porquê? Eu explico: desde a primeira aula que não cumpre qualquer regra da sala de aula. Fala quando lhe apetece, baloiça na cadeira, não trabalha, distrai-se a olhar para os outros sempre que é altura de trabalhar e quando fazemos uma pergunta a outro aluno para avaliar… pimba!... responde ELE! Atingiu o limite hoje. Mandei-o calar 500 vezes em português e em inglês. Quando os alunos estão a fazer barulho e quero que olhem para mim, começo a dizer “one, two, three, look at me” e eles param. Então não é que o raio do puto desata a contar “four, five, six…” por aí afora? E eu a mandá-lo calar. E ele a continuar a contar. E eu mandava-o calar e ele a contar. Depois já contava em português pois já não sabia mais em inglês. Parecia que tinha entrado em transe e aquilo era uma reza. Nunca na minha vida me tinha acontecido uma coisa destas! Assim que a aula acaba, encontro a prof. titular deles e contei o sucedido. Ao que parece ela vê-se aflita com ele. Não consegue fazer nada dele e vai convocar uma reunião para falar com os pais. Atenção que este puto é do 2º ano…!!!

 

Porque é que hoje tinha de ser segunda-feira? Segunda-feira não podia ser amanhã? É que a minha semana começou tão avariadinha…